MOSAICOS DE UMA VIDA

Juntando cada peça forma-se o mosaico de minha vida. Tantos sentimentos me envolvem. Sentimentos ruins, outros bons. Saudade de quem se foi para eternidade. Saudade de quem posso ligar para ouvir a voz. Tristeza pelas metas não cumpridas e alegria pelos objetivos alcançados. Gemidos de dor, outros de prazer.

25 de jun de 2010

HISTEROSSALPINGOGRAFIA

Em maio novos exames foram solicitados. Hormônios normais, ovulação idem. Foi quando minha ginecologista indicou o exame histerossalpingografia. Até o nome assusta. Trata-se de um exame de raios-X com contraste de iodo, o que possibilita investigar as condições do útero e das trompas.

Fiz o exame em Junho. Li muito sobre o mesmo e  soube que causa muita dor. Segundo relatos de mulheres que fizeram esse exame, trata-se de uma cólica menstrual. Então pensei que pra mim seria moleza. Afinal, cólica menstrual eu tenho todos os meses, ao ponto da vista escurecer e não consegui sair da cama.

A histerossalpingografia foi muito dolorida pra mim. O ritual começou assustar logo de inicio, pois foi solicitada a presença de uma anestesista caso precisasse sair dali para uma urgência. Uma segunda pessoa veio pra me ensinar como respirar na hora do exame. A orientação foi seguida da frase: “o sucesso do exame vai depender da sua respiração. É preciso respirar bem fundo para evitar um desmaio” (SIC)

A terceira pessoa que esteve comigo na hora do exame foi a técnica de raio-X. Ela me explicou que sentiria um pouco de dor, mas que o exame era bem rápido. Tentou me acalmar. Eu continuava a pensar: elas pensam que não sei o que é cólica menstrual.

A anestesista e a auxiliar foram orientadas a ficar por traz da parede de vidro. Enquanto a técnica vestiu-se de tal forma que parecia uma astronauta. Era preciso se proteger da radiação.

No primeiro momento do exame tira-se a radiografia da região pélvica. Em seguida fica-se em posição ginecológica e começa a introdução do iodo através de um cateter. É neste momento que sentimos dor. E não é uma simples cólica menstrual. É algo muito superior. Não conseguia gemer, não conseguia chorar. Sentia que estava perdendo as forças. A auxiliar por traz do vidro não parava de gritar: RESPIRA, RESPIRA, RESPIRA.

Por fim terminou o exame, as dores permaneciam porem com menos intensidade. Ainda não era o momento de levantar. A anestesista ficou ao meu lado segurando minha mão e falou que só sairia de perto de mim quando voltasse minha cor, pois estava muito pálida. Enquanto me recuperava escutei o comentário delas dizendo que eu era muito forte, pois não tinha deixado cair uma lágrima.

Elas não tinham idéia de como eu chorava por dentro. A dor se misturava com o medo do resultado do exame. Não agüentei esperar o resultado, pois precisava deitar chorar, enfim. Já em casa fiquei um tempo curtindo um banho quente. Chorei o máximo que pude. No dia seguinte recebi o resultado. Graças a Deus estava tudo bem com útero e trompas de falópio.

O conselho que dou para quem precisar fazer esse exame é tentar faze-lo anestesiada. Vi relato de pessoas que se submeteram a anestesia geral. Porém, há relatos também de mulheres que não sentiram nada durante o exame, mesmo sem anestesia. Vale salientar que existem procedimentos que antecedem o exame como ingestão de antialérgico e analgésico. Este último pra mim em nada adiantou.