MOSAICOS DE UMA VIDA

Juntando cada peça forma-se o mosaico de minha vida. Tantos sentimentos me envolvem. Sentimentos ruins, outros bons. Saudade de quem se foi para eternidade. Saudade de quem posso ligar para ouvir a voz. Tristeza pelas metas não cumpridas e alegria pelos objetivos alcançados. Gemidos de dor, outros de prazer.

27 de jun. de 2012

Mulher de Fases


Meu lado LUA de ser está no auge de sua mudança.

O lado MINGUANTE é a fase que choro muito, muito mesmo. Sinto-me pequena, sem forças, sem rumo, sem respostas...

Em seguida chega o lado LUA NOVA. Renovo-me, ergo a cabeça tentando buscar uma solução ou pelo menos sair da depressão...

E logo esse momento de renovação abre espaço para meu lado LUA CRESCENTE. Sinto que o sofrimento também me faz crescer. O crescimento pessoal me ajuda lidar com a dor, com a perda...

É ai que me sinto CHEIA, cheia de esperanças, acreditando que o melhor Deus preparou pra mim e estar por vir...

Só que essa fase também passa, e infelizmente começa tudo de novo.

20 de jun. de 2012

Aborto é Crime ? ! ? !


A experiência de perder uma gravidez desejada é algo que machuca, principalmente quando o aborto fica retido. Aos dois meses descobri que meu bebê parou de evoluir e mesmo assim precisei ficar mais cinco dias esperando expelir naturalmente; nada mais para evitar infecção. O prazo passou, o embrião permanecia comigo e a curetagem foi inevitável.

Durante esses cinco dias a dor era imensa, não dor física, sentia dor no coração, dor na minha alma, não havia nada que eu pudesse fazer a não ser chorar. Acordava durante a madrugada achando que era um sonho, e logo lembrava que era um pesadelo real.

Finalmente chegou o dia da curetagem. Assim como eu várias mulheres aguardavam internação na recepção do hospital. Todas grávidas e felizes, prestes a terem seus bebês; o único caso de curetagem era o meu.


Foi muito difícil dividir o mesmo espaço com aquelas mulheres que alisavam a barriga e sentia o bebê mexer. O meu estava morto e mesmo que eu quisesse acaricia-lo ele nada sentiria. Minha angustia aumentava, elas seguravam a barriga, eu segurava o choro e o nó na garganta se formava como prova da minha profunda tristeza.

O tratamento dos funcionários do hospital também era diferenciado desde a recepção. Esperei por quase duas horas para ser realmente internada, todas as grávidas subiam pra sala anti parto e só eu permanecia na recepção, esqueceram-se da medicação prévia conforme solicitação médica, tratavam-me como se eu tivesse cometido algum crime.

A única pessoa que me tratou bem foi a enfermeira que colocou o soro. Por ironia do destino também estava grávida e revelou conhecer minha dor por já ter passado pelo mesmo problema.

Segui para sala de parto como toda grávida, com roupas adequadas ao bloco cirúrgico. O anestesista chegou e me fez algumas perguntas, afastando-se para fora do bloco. Minha obstetra foi até seu encontro e conversaram um pouco sobre mim. Ouvi-a explicando que aquele filho foi desejado, que o aborto não foi provocado e que meu corpo não o expulsava. Ele voltou pra perto de mim, pediu licença para pegar na minha barriga e me fez um carinho como que estava com pena de mim e falou: eu sinto muito.

Fui sedada, adormeci e quando acordei já estava na sala de recuperação com mais quatro mulheres. Todas sentiam dor, mas estavam felizes por saberem que seus bebês estavam no berçário. Eu sentia a mesma dor que se somava a tristeza de saber que meu bebê não existia mais.

A enfermeira se dirigia a cada paciente dando notícias dos seus filhos, o médico perguntava para cada uma se já tinham leite. Eu parecia estar invisível pra eles, até que o telefone tocou duas vezes, era alguém querendo notícias minha, foi quando lembrei que ainda existo e que alguém se importa comigo.

Eu precisava sair dali, virar aquela página da minha vida e começar a escrever uma nova história.